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Igreja Adventista do Sétimo Dia

Associação

Adventismo em Cabo Verde

Ilha Brava

O primeiro núcleo de crentes adventistas do sétimo dia em Cabo Verde, organizou-se na Ilha Brava, a ilha das flores.

Foi precisamente o Sr.António Gomes, natural da Brava e residente na Califórnia, Estados Unidos, que depois de conhecer a mensagem adventista, regressa à sua terra natal em 1933, para lançar as sementes do evangelho. A sementeira foi profícua e em pouco tempo já tinha frutos promissores. As pessoas começam a aceitar a mensagem adventista. Como consequência, foi enviado o primeiro pastor a Cabo Verde [em 1935], vindo de Portugal, país a que o Arquipélago dependia política e administrativamente, pois era a sua colónia. Foi Alberto Raposo e família. Logo nessa altura, constrói-se a primeira igreja na zona de Nossa Senhora do Monte, mas abrem-se outros grupos, nomeadamente na Furna e Nova Sintra. Os primeiros batismos adventistas realizados na Ilha e no país, foram em 1936.

Depois da passagem pela ilha de missionários, pastores portugueses, chega um filho da terra, o irmão Gregório Rosa, natural da cidade da Praia e que entre os finais dos anos 40, inícios de 50, é o novo pastor na Brava. É nessa década que começa a funcionar a escola adventista (1944) cujo alvará será outorgado posteriormente. Dos anos 50, destacamos a visita do então Presidente da União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia à Ilha, na altura, pastor Ernesto Ferreira.

Não nos deve escapar o problema da fome que volta a assolar a ilha. Nos anos 60, entre os vários obreiros e pastores, destacamos o trabalho realizado por Isaías da Silva. Nas vésperas da independência política e administrativa, para com Portugal, inícios de 1970, a escola adventista continua a funcionar. A partir de 1973, com a administração direta pela Divisão Sul-Europeia já não se enviam pastores portugueses à Brava. Os finais de 70, anos 80 e até inícios de 90 correspondem a um período de transição para a administração cabo-verdiana. Os anos mais recentes carecem de informações (…)

Ilha do Fogo

Da Brava, o evangelho chegou à vizinha ilha do Fogo, a ilha do vulcão, ainda no tempo do Pastor Raposo. O primeiro interesse surgiu na zona de Ribeira Ilhéu, em 1942, quando o novo pastor João Esteves se estabelece na Ilha. O trabalho será mais metódico e, por isso, mais produtivo. A este seguem-se o irmão Arlindo Miranda e o pastor Gregório Rosa.

Com a nomeação do pastor Francisco Cordas como diretor da Missão Adventista em Cabo Verde, a obra nas ilhas ganha um novo fôlego. Vai se apostar grandemente na educação. São conseguidos os alvarás para as escolas nas ilhas onde já havia presença adventista.

Nesta ilha, bem como na vizinha Brava, o início do adventismo acompanhou a fome que assolava os seus habitantes. Agrava-se o problema com a erupção do vulcão em 1951. A nenhum destes fenómenos ficou a Igreja indiferente ou inconsequente. Apesar disso, a Igreja continuava crescendo, quer durante os anos 50, na década seguinte e nos anos 70, apesar da separação política e administrativa de Portugal.

Na segunda metade de 70, 80 e 90, a ilha, que também viveu e intensamente o período de transição vê por ela passarem vários pastores, nomeadamente brasileiros, mas também muitos cabo-verdianos. As estatísticas recentes (2010) dizem-nos que esta ilha é a que percentualmente tem mais adventistas. Uma pessoa em cada 18 habitantes era adventista do sétimo dia.[1]

Ilha de Santiago

Depois da Brava e Fogo, temos a ilha de Santiago, a maior do arquipélago e a terceira a ter uma igreja organizada. Já em 1935 chegava o primeiro obreiro à ilha, o irmão Américo Rodrigues. Não foi fácil o trabalho na Ilha durante as primeiras décadas. Havia muita resistência da população que era (é?) extremamente católica.

Nos anos 50, para ajudar na pregação do evangelho foi criada uma escola primária. As condições eram precárias mas funcionou durante algumas décadas. Ainda neste mesmo período a sede da Missão que funcionava na Praia teve que ser transferida para S.Vicente, que na altura apresentava melhores condições, nomeadamente a facilidade de comunicações entre as ilhas e entre as ilhas e o estrangeiro, que se fazia maioritariamente de barcos naqueles tempos.

Nessa mesma década começa a ser plantado o evangelho pelo interior da ilha, mas os frutos demoram a aparecer. Igualmente, nesses anos, mais precisamente em 1956, o presidente da Divisão Sul-Europeia, a qual Cabo Verde pertencia, visitou o Arquipélago.

Dos anos 60, pouca informação podemos acrescentar pois as fontes são escassas. Observa-se, todavia, o retorno da sede da Missão à capital em 1968.

Na década de 70, como sempre, salta à vista o momento de agitação, de independência. Iniciava-se o período de transição, de 70-80, que será feito particularmente por brasileiros, mas também por outros pastores enviados pela Divisão Sul-Europeia, nomeadamente pastores italianos.

A partir dos anos 90, a realidade altera-se. A quase totalidade dos pastores é cabo-verdiana. A administração também é assegurada por pastores nacionais. O primeiro presidente da agora Missão de Cabo Verde é o pastor João Félix Monteiro. Da década de 90, conta o rápido crescimento da Igreja na capital. Multiplicam-se pela cidade e chegam ao interior. Hoje Santiago é a ilha que tem mais adventistas em Cabo Verde.

Ilha de S.Vicente

A ilha do Porto Grande foi a quarta a abraçar o adventismo. Se nos anos 30, já tinham por aí passado adventistas da Brava e do Fogo, só a partir da década seguinte é que surge o primeiro grupo de crentes na ilha.

Nos anos 50, destaca-se a compra do terreno adjacente e o edifício que albergavam o templo e a escola. A escola adventista de S.Vicente cujo alvará data de 1954, e o Jardim Nosso Amiguinho, criado nos anos 80, são duas instituições educacionais que funcionarão como pólos de atracão adventista na cidade.

Voltemos aos anos 50. Por essa altura, há a tentativa de evangelizar o (pouco) interior que a ilha dispõe. Referimos concretamente à zona de Salamansa cujos pormenores são descritos nas páginas anteriores [do livro].

Aqueles que viveram os anos 60 na ilha acreditam que ela era fervorosa, apesar da tentativa de ridicularização por que passavam os membros. Nos finais da década, há o retorno da Sede da Missão para a cidade da Praia. Em 1969 é organizada a primeira Escola Cristã de Férias, na Ilha. Igualmente é de realçar a licença conseguida pela Igreja, para duas emissões semanais da programação adventista na rádio do Mindelo.

Dos anos 70 ressaltamos os problemas de manutenção da escola, que até esteve fechada por três anos, acabando por ser reaberta. Parece que, por altura da independência política do território, a Escola Adventista de S.Vicente conseguiu sobreviver, apesar das outras terem sido fechadas, por decisão da administração central da IASD.

À antiga escola, ao Jardim Nosso Amiguinho, criado nos anos 80, junta–se o ensino secundário, nos anos 90. Com maior ou menos dificuldade, estes três diferentes níveis de ensino foram funcionando no mesmo espaço, até que a escola primária e secundária fossem fechados nos inícios de 2000.

Ficar-nos-ia um outro aspeto a acrescentar. Graças à colportagem, S.Vicente exerceu um papel relevante para a propagação da mensagem adventista, nomeadamente nas Ilhas do Sal, S.Nicolau e Santo Antão.

Ilha de Santo Antão

A ilha das montanhas, Santo Antão, ainda tem pouco para contar. O trabalho da colportagem pelo pastor Gregório Rosa, nos idos anos 40, pouco resultou. Mas passados 30 anos, o Pr. Rosa, agora mais experiente, decide investir pela Ilha. Conjuntamente com a ajuda de jovens de S.Vicente, onde residia, avança mais uma vez pela ilha das montanhas. O trabalho é seguido pelo pastor Orsucci. Surgem os primeiros frutos.

Nos anos 80, ficam às despensas da Igreja de S.Vicente. Só nos anos 90 são reenviados pastores e obreiros residentes. Os pastores fixaram-se na vila de Povoação, enquanto os obreiros, ora na vila principal, ora no Paúl, ora no Porto Novo. Houve algum crescimento numérico e reavivamento espiritual, nomeadamente na Ribeira Grande e no Porto Novo, onde não havia presença oficial de adventistas, tendo sido criado um novo grupo.

Mas até agora, o crescimento e a maturação da Igreja, na Ilha, têm sido muito deficientes. Entre outros fatores que obstam no seu desenvolvimento, contam a dispersão geográfica, o forte catolicismo, o complexo que se mantêm para com os da própria ilha e, particularmente, a ausência de um pastor residente, casado e experiente.

Apesar de todo o trabalho feito por pastores, obreiros e irmãos leigos, as lacunas subsistem. Neste momento existem dois grupos a funcionarem à uma distância de mais de 30 km de distância. Um na Rª Grande e outro no Porto Novo.

Um dos grandes objetivos da Igreja em Santo Antão é ter um espaço próprio de adoração.

Ilha de S.Nicolau

Um dos primeiros cabo-verdianos a aceitar a mensagem foi o Sr. António Justo Soares, natural da Ilha de S.Nicolau. Este converte-se nos EUA em 1934. Quando regressa à Ilha, a esposa rejeita a mensagem e o próprio marido. Juntam-se ao senhor Justo, duas sobrinhas e um amigo, o Sr. António Santos, sendo estes os primeiros a serem batizados na Ilha, depois dos idos

anos 40. Apesar da sua fidelidade e constância na fé, pouco puderam fazer para o avanço do evangelho naquelas terras. As suas vozes foram abafadas e, apesar de todo o apoio recebido por irmãos, nomeadamente em S.Vicente, temos que esperar até finais dos anos 80, para que a chama da fé adventista volte a reacender na Ilha. O irmão Fernando Duarte, natural de S.Nicolau, ao conhecer a mensagem e tornar-se adventista nos finais de 1989, na ilha de S.Vicente, onde residia, zarpa imediatamente para a terra natal. O zelo missionário impulsiona-o. Trava conhecimento com o Sr.Lourenço Gomes. Este e a sua esposa são os primeiros a serem batizados, na nova era que nascia para a ilha de S.Nicolau.

Os novos membros descobrem os pioneiros batizados havia muitas décadas. A partir daí, e com o envio do primeiro pastor à Ilha, pastor Irlando de Pina, a Igreja cresce, ainda que timidamente. Mas só recentemente, o grupo de S.Nicolau que, por muito tempo estivera dependente do Sal e de S.Vicente, é reconhecido como igreja organizada.

O forte tradicionalismo católico, a carência material e humana da IASD, nomeadamente a inconstância no envio e permanência de pastores e obreiros tem condicionado o desenvolvimento do adventismo nas terras de Chiquinho.

Ilha do Sal

Na Ilha do Sal, graças aos muitos esforços do Pr. Venâncio Teixeira, mas também de muitos jovens de outras ilhas, nomeadamente da Brava, começa o primeiro núcleo que virá a dar origem à Igreja Adventista do Sétimo Dia.

A construção do templo só foi feita nos anos 90, mas com muito esforço. Inicialmente em Espargos, a igreja procurará timidamente a expansão para outras zonas como Palmeira, Santa Maria e Pedra de Lume. O trabalho realizado noutras localidades da ilha, ainda que não tenha redundado em crescimento ou abertura de outra igreja, contribuiu para que barreiras fossem ultrapassadas e preconceitos quebrados. Pouco mais temos a dizer sobre a congregação da Ilha das salinas, pois o crescimento continua modesto e a influência sobre a população, fraca. Em

2010, a relação membros/população era de 1/100 pessoas.[2]

Ilha da Boa Vista

A ilha das dunas é a mais recente a nível de penetração do evangelho. É só a partir de 1996 que, um grupo de crentes adventistas, naturais de Santiago, por razões profissionais, sentiu a necessidade de aí se fixarem. O primeiro núcleo organizou-se na zona de Rabil, mas em 1998 fixa-se na Vila de Sal-Rei. Uma das caraterísticas do grupo, constituído maioritariamente por santiaguenses, é a sua dinâmica migratória, em outras palavras, a existência de uma forte mobilidade entre a membresia. Há aqueles que regressam à terra natal e outros que vão à Ilha trabalhar. Este é um dos factores apontados pelos próprios membros como condicionador ao desenvolvimento evangelístico. Outros aspetos contam, nomeadamente o escândalo nos finais da década de 90, quando dois membros da Igreja foram acusados de terem quebrado santos católicos – felizmente fora um engano?! Mas talvez, o principal adversário que os adventistas e até outros credos enfrentam na ilha, é o forte espiritismo que aí é muito enraizado. É também certeza entre os membros que, se houvesse um pastor ou obreiro residente, a propagação do evangelho seria muito mais fácil.

Ilha do Maio

As informações sobre o início da Igreja e o desenvolvimento do evangelho na Ilha do Maio foram possíveis, graças ao uso de novas tecnologias, como já frisamos. Graças a conversas telefónicas e contatos via internet tivemos acessos a informações básicas sobre a igreja nesta planície do Arquipélago.

Os primeiros obreiros foram enviados nos primeiros anos da década de 90, logo após o pastor Félix assumir a presidência da Missão/Associação. O grupo de crentes foi-se formando e crescendo. Mas um dos grandes problemas na igreja da Ilha é o êxodo dos irmãos para outras ilhas do território nacional.

Até agora, não existe igreja organizada e a construção do templo ainda não foi concluído.


MONTEIRO, Karl (2012) O que dizer dos Adventistas em Cabo Verde? Um estudo de caso, Tipografia Santos, Praia, pág. 61 a 92 (versão resumida)